Todos gostam de vinho espumante, parece que as borbulhas permeiam o imaginário das pessoas, trazendo sensações de alegria e contentamento. Mas qual será o “tipo” de espumante que faz mais sucesso? Uma resposta apressada pode sugerir o Champagne, o estilo de vinho não tranqüilo mais famosos mundialmente, porém, falemos francamente, quantas pessoas realmente gostam de Champagne quando provam pela primeira vez? Quase nenhuma, principalmente quando apresentadas as versões secas. O suposto problema reside na acidez aguda dos bons espumantes, que dificilmente agrada pessoas não habituadas, provocando uma imediata repulsa. Vale aqui fazer uma ressalva, toda a classe, a complexidade e a longevidade dos melhores Champagnes derivam da sua acidez, sem esse elemento o espumante é apenas mais um vinho banal. Para contornar essa paradoxal dificuldade de apreciar um bom Champagne, e também para conquistar outras fatias de mercado, as tradicionais maisons de Reims e Epernay estenderam seus domínios no Novo Mundo. O estilo empregado em países como Estados Unidos, Argentina e Brasil é mais acessível, fácil de beber e não estoura a conta bancária. O vinho já não é mais Champagne, porém alguns exemplares - somente aqueles mais caros - podem resgatar aquele cheirinho de padaria e confeitaria, típico dos melhores vinhos borbulhantes. O Mumm Cuvée Spéciale Extra Brut, produzido na Argentina, segue a proposta da acessibilidade. Esse espumante é barato, fácil de beber e, obviamente, deixa a desejar em elegância e complexidade. Cor palha, ligeiramente verdoso, com perlage pouco persistente. Nariz frutado com boa intensidade, evidenciando uvas maduras (lembra moscatel), frutas cítricas e algumas notas de fermento de pão. Acabamento razoável, deixando um final de boca alcoólico. Existe muito açúcar residual, apesar da designação Extra Brut.