
Por Letícia Tavares
Como poucas estações, o inverno é perfeito para uma boa taça de vinho. De preferência tinto. E isso tem uma razão, as uvas tintas clássicas, como cabernet sauvignon, merlot, pinot noir e syrah, são tânicas, ácidas e apresentam uma característica adstringente que combina perfeitamente com pratos mais fortes, como massas e carnes. “Um bom vinho tinto auxilia a digestão e faz, inclusive, com que a pessoa durma melhor. Por isso é tão apreciado no frio – quando nosso corpo pede alimentos mais encorpados e quentes”, explica JoséEriberto Gomes Pereira, sommelier da Varanda Frutas & Mercearia. Beto, como é mais conhecido pelos clientes, conta que a adega da Varanda possui mais de 1.200 rótulos de vinho provenientes de cerca de 90% dos principais produtores de todo o mundo. Juntos, Beto e os outros dois sommeliers que trabalham na adega, Marcelo Silva e Paulo antonio da Costa Neto, atendem às mais variadas solicitações dos clientes. “indicamos vinhos para presente, damos dicas de harmonização e, em muitas ocasiões, as pessoas nos trazem o cardápio do que será servido em determinado almoço ou jantar para indicarmos o vinho que melhor combina”, airma Marcelo. No inverno, o campeão de vendas é o vinho tinto. os provenientes do Velho Mundo, como da região de Bordeaux, França, e Piemonte, itália, ganham visibilidade nesta época do ano. “os australianos, produzidos a partir da uva Syrah, e argentinos, com a malbec, também estão entre os preferidos”, conta Marcelo. os brancos são igualmente muito procurados, porém com a exigência de serem mais elaborados, encorpados e amadeirados, com sabor mais forte.
Conheça as principais uvas tintas clássicas que conquistam a preferência dos amantes do vinho no inverno.
Cabernet Sauvignon: É a principal variedade de uvatinta clássica. os aromas e sabores do cabernet sauvignosão tão atraentes que chega a ser considerado o centro de atração dos vinhos tintos. amora preta, groselha preta, cassis, hortelã, eucalipto, cedro, couro, ameixa – esses elementos misturam-se num delicioso amálgama quando o vinho envelhece. Historicamente, os mais apreciados do mundo provêmda região de Bordeaux, na França. Contudo, hoje se produzem regularmente excelentes cabernets na Califórnia, itália e austrália.
Merlot: A região mais famosa onde se planta esta uva de sabor bastante semelhante à cabernet sauvignon também tem sido a de Bordeaux, na França – é a principal uva em termos de produção total. Seus aromas e sabores incluem: amora preta, cassis, cereja cozida, ameixa, chocolate, café e, às vezes, até couro. Embora a Califórnia seja considerada a base dos vinhos merlots no Novo Mundo, essa distinção deve ser compartilhada com o estado de Washington. É grande, e crescente, o número de merlots excelentes e profundamente concentrados oriundos daquela região.
Pinot Noir: É bem menos encorpado e bemmenos tânico do que o cabernet sauvignon e o merlot também tem cor mais leve. Na boca, os melhores pinots transpiram o calor da cereja cozida, ameixa, terra úmida, cogumelo, cedro, charuto, chocolate e folhas secas. A região de Borgonha, na França, é a área mais lendária dessa variedade. Supercaros e de produção limitada, os tintos da Borgonha são descritos como alguns dos vinhos mais terrosos do mundo. No Novo Mundo, a uva se dá bem em certas partes da Califórnia, como nos vales Santa Maria e Santa inês.
Syrah: Na França, os aromas e saborefortes da syrah inclinam-se para couro, terra úmida, amora preta silvestre, fumaça,entre outros. No século 17, os huguenotes franceses levaram a syrah da França para o Caboda Boa Esperança, na África do Sul, onde foi rebatizada como shiraz. Da África do Sul, foi levada para a austrália, onde também é chamada de shiraze hoje produz deliciosos tipos de vinho. Em 1980, começou a chamar a atenção de produtores da Califórnia, que se tornou uma nova e promissora fronteira para essa uva.
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Fonte: Revista Varanda, Junho 2009, edição n° 21






